O texto evoca a ligação intensa entre pensamento, poesia e pintura a partir da experiência da crueldade, não como violência banal, mas como força vital que atravessa corpo e linguagem. Essa conexão encontra sua formulação mais radical em Van Gogh, o suicidado da sociedade, de Antonin Artaud, obra em que o autor defende Vincent van Gogh não como louco, mas como vítima de uma sociedade incapaz de suportar a potência visionária da arte.
Para Artaud, a crueldade é essa energia impessoal que rasga a palavra e a imagem, rompendo os limites de um pensamento normatizado. Ao aproximar Van Gogh de sua própria experiência, o autor denuncia uma cultura que patologiza aquilo que não compreende. A pintura dos campos convulsivos e dos girassóis incendiados não seria delírio, mas explosão de verdade, assim como a escrita que se faz grito, glossolalia, corpo.
O livro, apresentado como correspondência com Jacques Rivière, inscreve-se como manifesto poético-filosófico contra a razão adoecida que reduz arte a reprodução e pensamento a conformidade. Entre vinho, terra e corvos, imagem e palavra se confundem: a poesia torna-se pintura, e a pintura, testemunho de uma existência outra que insiste em sobreviver à normalização social.
Van Gogh, o suicidado da sociedade
Título: Van Gogh, O suicidado da sociedade
Subtítulo: Correspondências com Jacques Rivière
Autor: Antonin Artaud
Tradutores: Gabriel Bonesi e Mayara Dioniso
ISBN: 978-659981695-6
Lançamento: Agosto de 2022
Edição: 1
Número de Páginas: 72 pg
Formato: 13,3x20
Acabamento: Brochura
Peso: 100g
Gênero(s): FilosofiaAntonin Artaud (1896 - 1948) foi um poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor de teatro francês e aspirações anarquistas. Ele foi ligado fortemente ao surrealismo.

