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O texto evoca a ligação intensa entre pensamento, poesia e pintura a partir da experiência da crueldade, não como violência banal, mas como força vital que atravessa corpo e linguagem. Essa conexão encontra sua formulação mais radical em Van Gogh, o suicidado da sociedade, de Antonin Artaud, obra em que o autor defende Vincent van Gogh não como louco, mas como vítima de uma sociedade incapaz de suportar a potência visionária da arte.

 

Para Artaud, a crueldade é essa energia impessoal que rasga a palavra e a imagem, rompendo os limites de um pensamento normatizado. Ao aproximar Van Gogh de sua própria experiência, o autor denuncia uma cultura que patologiza aquilo que não compreende. A pintura dos campos convulsivos e dos girassóis incendiados não seria delírio, mas explosão de verdade, assim como a escrita que se faz grito, glossolalia, corpo.

 

O livro, apresentado como correspondência com Jacques Rivière, inscreve-se como manifesto poético-filosófico contra a razão adoecida que reduz arte a reprodução e pensamento a conformidade. Entre vinho, terra e corvos, imagem e palavra se confundem: a poesia torna-se pintura, e a pintura, testemunho de uma existência outra que insiste em sobreviver à normalização social.

Van Gogh, o suicidado da sociedade

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R$ 49,90Preço
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